Assim como já citamos, a Realidade chamou a atenção pelo seu aspecto diferenciado em termos do seu formato e diagramação, da construção textual das suas reportagens, bem como pela dimensão dos seus textos. Falamos do seu estilo inovador e também o seu caráter “audacioso” e até “transgressor”, em virtude da abordagem que dava às questões pertinentes ao campo político e comportamental.
Em outro post, mostramos essa característica da Revista Realidade, ao falar da matéria sobre “A mulher brasileira, hoje”, na qual, segundo o editorial de apresentação, ela pretendia discutir com seus leitores a revolução tranqüila e necessária, mas nem por isso menos dramática, que a mulher brasileira estava realizando naquele momento. Tal edição foi embargada o juiz da Vara de menores considerou o conteúdo da revista obsceno, profundamente ofensivo à dignidade e à honra da mulher, bem como ao pudor moral e aos bons costumes.
Agora, falaremos de outra matéria polêmica da Revista.

Os planos da revista Realidade eram apresentar aos leitores, no mês seguinte, setembro de 1966, a conclusão dessa pesquisa, o que, não foi possível, já que a revista recebeu uma advertência do Juiz de menores da Guanabara, Alberto Cavalcanti de Gusmão, comunicando que apreenderia aquela edição da revista caso publicasse a conclusão da tal pesquisa que, do seu ponto de vista era “Obscena” e “chocante”. Diante dessa advertência, a revista Realidade respondeu com um editorial, onde explicava aos seus leitores que havia suspendido.
Fonte: A juventude diante do sexo. Realidade, São Paulo: Editora Abril, n.6, Set. 1966.
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